Alegoria dos pássaros [haicais]

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*
o meu religare a
deus são estas árvores
e estes pássaros

*
o canário pousou
na árvore e por lá ficou
até eu partir

*
escrevo. como
quem traça a rota de
viagem dos pássaros

*
o canário faltou.
era a minha primeira
aula de canto

*
meu espírito
está alinhado ao
teu. amar é:

*
poema: composição
alegórica: abrigo
para pássaros –

*
a sós no bosque.
me recolho para ouvir
as árvores:

*
fisguei sinais de
sol na foz do rio. faíscas
de luz na água
.

[O AUTOR] Nascido em 1990 em São Paulo, viveu mais de vinte anos no sertão cearense e reside atualmente em Goiânia. Publicou os livros Baladas para violão de cinco, Aquarelas e Girassóis maduros.
.
. . . via Luciano Dutra, publicado em  Vida Breve
.

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Folia dos dias (Artur Araújo/Léo Prudêncio)

“Folia dos Dias” (Artur Araújo/Léo Prudêncio)

Ficha Técnica

Voz/Violão: Artur Araújo
Teclados/Synths: George Frederick
Bateria/Percussão: Wanderson de Maria
Contrabaixo: Naim Ventura
Flautas: Thesco Carvalho

Gravado no Pré-Carnaval de Sobral/CE 2017

Vídeo: Yago Brasil

 

Leonard Cohen

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Ei, não se diz adeus dessa forma
Leonard Cohen

Eu a amei pela manhã
Com beijos ardentes e profundos
E aquele cabelo dela sobre o travesseiro
É como uma sonolenta tempestade dourada
Muitos amaram antes de nós
Eu sei que não somos originais
Na cidade ou na floresta
Eles não sorriem como nós
Mas agora com a chegada da distância
Que ambos devemos tentar
Seus olhos estão úmidos de tristeza
Ei, não se diz adeus dessa forma

Eu não estou procurando por outra
Tanto quanto me perco pelo tempo
Caminho por esquinas
Em que nossos passos eram ritmados
E você sabe que o meu amor está em você
Assim como o seu está em mim
É apenas o caminho que tomou outro rumo
Como a costa litorânea e o mar
Mas não falemos sobre amor ou correntes
E coisas que não podemos desatar
Seus olhos estão úmidos de tristeza
Ei, não se diz adeus dessa forma

Eu a amei pela manhã
Com beijos ardentes e profundos
E aquele cabelo dela sobre o travesseiro
É como uma sonolenta tempestade dourada
Muitos amaram antes de nós
Eu sei que não somos originais
Na cidade ou na floresta
Eles não sorriem como nós
Mas agora com a chegada da distância
Que ambos devemos tentar
Seus olhos estão úmidos de tristeza
Ei, não se diz adeus dessa forma

(TRADUÇÃO MINHA)

Inéditos na Revista Propulsão

Revista Propulsão
http://www.revistapropulsao.com

 

Goiânia às cinco da tarde

cidade tua solidão me invade
hoje eu sou todo saudade
daquele verde mar e num
vazio quase intocável o
o mundo fez-se de luz

mas eu também sou
essa cidade em ruínas
eu também sou
essa alegria latina

Cantiga de amigo

Conte-me pequeno ramo de flores
traz notícias de meu amado
a quem há muito espero
            em meus braços?
Sei que as árvores comunicam pelo silêncio
não arredo de minha agonia, não dou passos
para trás.
Diz-me flores da acácia
porquê ouço a voz de meu amado
quando o vento corta por entre teus galhos?
            Mas não o vejo
            não o toco
            não o beijo...
Aquieta-me flores do verde pinho
sempre que volto pra casa a ausência dele
me devora, como uma cigarra devora o silêncio.

 

Retrato do artista enquanto palavra

Manoel de Barros - arquivo da família

retrato do artista enquanto palavra

(à memória de Manoel de Barros)

I

só sei escavar o poema a partir da palavra

fora isso sou tão comum quanto qualquer pedra

e sou tão incomum quanto qualquer ser humano

II

corromper a imagem das coisas é papel da poesia

[o poeta é um mero transcritor de códigos]

não nos cabe partir do universal

escavamos de nosso próprio abismo o particular de cada poema

cada palavra desenhada aqui é uma parte de mim que se vai

III

a palavra é o desenho verbal das coisas

IV

do poeta?

já não se sabe mais

se é gente coisa animal ou árvore

talvez ele tenha se camuflado em uma palavra qualquer

 

(publicado em Mallarmargens – revista de poesia e arte contemporânea)